Mente em Equilíbrio, por Gisele Corrêa 16/04/26
- 16 de abr.
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Você sai de um encontro social e, em vez de se sentir leve, se sente… drenado.
Não foi ruim. Ninguém brigou. Você até sorriu, participou, respondeu.
Mas, no caminho de volta, o corpo pesa. A cabeça fica cheia. E a única vontade é se isolar de tudo — como se o simples fato de estar com outras pessoas tivesse custado mais do que deveria.
E aí vem o pensamento: “Tem algo errado comigo.”
Porque, teoricamente, aquilo era para ser normal. Prazeroso, até. Mas, para você, exige preparo, esforço e cálculo. Como se cada palavra, cada reação, cada expressão precisasse passar por um filtro antes de sair.
E o mais confuso? Você consegue. Você “funciona”. As pessoas não percebem. Mas você sabe o preço que paga depois.
E talvez o que mais cansa não seja o encontro… Seja a tentativa constante de entender por que algo tão simples para os outros é tão desgastante para você.
Muitas pessoas passam anos tentando se ajustar. Se esforçando mais. Se cobrando mais. Se culpando em silêncio.
Até começarem a considerar uma possibilidade desconfortável: e se nunca foi falta de empatia? Ou de vontade de socializar?
E se, na verdade, for a ausência de compreensão sobre o próprio funcionamento?
Abril é um mês que convida à conscientização sobre o autismo. Mas, para muitos adultos, ele também desperta uma pergunta mais íntima: “E se isso explicar a minha vida inteira?”
Não se trata de buscar um rótulo. Mas de finalmente organizar o que sempre pareceu solto. De entender padrões que antes pareciam falhas pessoais.
Porque talvez não seja mais uma questão de tentar se encaixar melhor…mas de começar a respeitar limites que sempre estiveram ali — mesmo sem nome.
Gisele Corrêa – NeuropsicólogaAvaliação neuropsicológica para crianças e adultosConteúdos sobre funcionamento cognitivo e emocional: @giseleneuropsicologa
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